30 de set. de 2011

Escrita sem frescura


Estive perdida entre os dias, as horas, as pilhas de livro. Mas chega um dia que isso tudo cansa, e sinto saudade de voltar a mim, de escrever meus próprios parágrafos ao invés de roubar citações. Percebi que minha escrita acontece no cansaço, quando o último suspiro produz força de vida. O meu maior medo é que algum dia essa força não seja suficiente, e então eu me perca de vez.

Para viver é necessário um pouco de loucura, loucura para sair do solo firme ao qual deixamos crescer nossas raízes, e sobre o qual estamos tão acostumados a tal ponto de nos esquecer que existem outras terras, outros ares, outros pingos de chuva. Obrigada filósofos, historiadores, sociólogos e pesquisadores afins, mas preciso respirar um pouco de arte, sentir a música nos poros, a emoção e o sorriso de canto de boca ao ver uma pintura. Eu preciso de vida.